
A passos largos ela andava na avenida vazia. Já não tinha companhia, já não sabia o que fazer. Procurou abrigo em alguma esquina, respostas em alguma placa, mas na verdade queria um cobertor para se esconder.
Ao perceber-se cansada, sentou-se na calçada. Ao seu lado, um morador de rua cantava uma antiga canção, um sambinha tocado na caixa de fósforo. Pensou em acender um cigarro, mas não o encontrou. O frio cortava a pele.
As lágrimas desciam e congelavam. Ela queria respostas, mas ele queria certezas. A noite foi de discussão. Terminaram.
Dia seguinte, o sol voltou a aparecer. Amarelo, iluminava os prédios e trazia paz. Ela olhou para si no espelho e sentiu-se leve. Baixinho, disse para si mesma: "até em um não, a vida pode trazer alegria e paz". Arrumou as malas e partiu sem destino.
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